Ser médium
“Mas o que recebera
um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. (Mt 25:18)
O entendimento da mediunidade na
vida do espírito é crucial no uso adequado desse recurso oferecido pelo Pai.
Alguns querem multiplicar mediunidades, outros querem esconder mediunidades.
Assim como na Parábola dos Talentos, os companheiros que recebem suas moedas
fizeram seus diferentes usos.
Na atualidade, o uso da
mediunidade torna-se um perigoso caminho quando o encarnado não compreende o
potencial evolutivo da ferramenta de conexão com os espíritos. Os médiuns não
são privilegiados de Deus, foi apenas dada a última chance, antes da transição do
planeta, para contribuírem com a humanidade diante de tantos desvios e
equívocos cometidos em outros tempos. Médium é trabalhador do Pai com fogo nas
línguas, nas mãos, nos olhos, dependendo de onde irá desaguar seu potencial. Porém,
alguns exercem mediunidade na casa espírita com ostentação, no trabalho formal
se escondem, no lar usam a moralidade deturpada. Ser médium não é manipular a
moeda que o senhor ofereceu e usá-la de maneira fortuita ou conveniente a seu
próprio interesse.
Ser médium é ser Cristo em ação.
Ser médium é olhar para o Pai e entregar o coração. Ser médium é olhar para o sol
e trazer para os encarnados o que se enxerga de lá. Ser médium é ouvir a voz
dos anjos e cantar para os espíritos em dor. Ser médium é ver a beleza do amor
e desenhar no papel com cheiros da misericórdia divina. Ser médium é fazer bom
uso da moeda recebida e não desgastar, enterrar ou jogar fora esse bendito
presente do Pai.
Mediunidade é tarefa diária, não
é tarefa na casa espírita. Mediunidade é ter escuta para o pai envelhecido, é ter
paciência com o filho aflito, é olhar a dor do outro com benevolência e
indulgência. Ser médium é perdoar aquele que te feriu. Ser médium é se perdoar
por ter comprometido a encarnação de tantos espíritos fazendo mau uso dessa
ferramenta. Ser médium é ser a caridade no lápis, na vidência, no diálogo e na
voz.
A mediunidade com Jesus é o laço
mais robusto com o bem que exala do nosso Criador. Um laço que brilha com luz
tão exuberante que o médium chora, arrepia, transborda porque seu corpo físico
não consegue comportar tamanha luz.
Ser médium é olhar para as trevas
e ver a luz que brotará um dia naquele lamaçal de espíritos doentes. É olhar
para eles e se reconhecer nos seus dias sombrios, percebendo que o Pai ainda
assim te confiou a empreitada mediúnica para tornar-se um trabalhador fiel. E
hoje, tornou-se um médium.
Médiuns de luz, é a luta do amor
pelo amor.
Médiuns de paz, é a busca da
pacificação na turbulência.
Médiuns do Cristo, é o consolo
daquele que sofre.
Médiuns da eternidade, é se
perdoar por tamanhos equívocos.
Cada um perceberá o reflexo da luz ao olhar
para a sua moeda utilizada para o bem e guardada no lugar mais seguro e
produtivo do espírito: seu próprio coração.
(Mensagem dia 06/11/19)